PrEP e PEP: a prevenção do HIV explicada
A PrEP e a PEP estão entre as ferramentas mais eficazes que existem para prevenir o HIV. É fácil confundir as duas, porque ambas envolvem tomar medicamentos antirretrovirais, mas a diferença está no momento: a PrEP é tomada antes da exposição, e a PEP, depois.
PEP: prevenção de urgência depois de uma exposição
A profilaxia pós-exposição (PEP) é um tratamento curto com medicamentos contra o HIV, geralmente por 28 dias, que pode impedir que a infecção se estabeleça depois de uma possível exposição.
A PEP é indicada em situações como a camisinha estourar com uma parceria que tem HIV ou cuja condição é desconhecida, violência sexual ou um acidente com agulha. Se você acha que precisa dela, procure imediatamente um serviço de saúde e peça a PEP pelo nome. No Brasil, a PEP é gratuita pelo SUS e é oferecida em serviços como UPAs, prontos-socorros de hospitais, CTAs e SAEs: veja no mapa do Ministério da Saúde onde encontrá-la. Mesmo quando a receita é de um médico particular, o medicamento é entregue pela rede pública. Em Portugal, a PEP (lá chamada PPE) só é dada na urgência de um hospital público, e o médico de família não pode receitá-la. Se você perceber que precisa da PEP repetidas vezes, é um sinal claro de que vale a pena considerar a PrEP.
PrEP: proteção contínua antes da exposição
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é um medicamento tomado por pessoas que não têm HIV para não se infectarem. Usada conforme a prescrição, a PrEP reduz em cerca de 99% o risco de pegar HIV pelo sexo e em pelo menos 74% o risco associado ao uso de drogas injetáveis. Ela existe na forma de comprimido diário e, para algumas pessoas, de injeção de longa duração aplicada a cada dois meses (no Brasil, a PrEP injetável ainda não é oferecida pelo SUS).
Quem pode considerar a PrEP?
- Pessoas com uma parceria que vive com HIV, principalmente se essa pessoa ainda não está com a carga viral suprimida
- Pessoas que nem sempre usam camisinha com parcerias cuja condição é desconhecida
- Pessoas que tiveram recentemente uma infecção sexualmente transmissível (IST)
- Pessoas que compartilham seringas e agulhas
A PrEP exige um teste de HIV antes de começar e testes regulares de acompanhamento, porque é apenas para pessoas que não têm HIV.
I=I: o tratamento como prevenção
Há uma terceira peça importante. Uma pessoa vivendo com HIV que faz o tratamento e mantém a carga viral indetectável não pode transmitir o HIV para suas parcerias sexuais. Isso se chama Indetectável = Intransmissível, ou I=I. Significa que um tratamento eficaz também é uma prevenção eficaz.
Como isso se encaixa na sua estimativa de risco
A prevenção muda a conta. Se a outra pessoa faz um tratamento eficaz e tem carga viral indetectável, ou se você usa PrEP, o risco real de uma exposição é muito menor que os números básicos por ato do nosso guia sobre o risco. Se uma exposição já aconteceu e foi recente, pense primeiro se a PEP se aplica e depois na testagem.
Como conseguir a PrEP ou a PEP
As duas são medicamentos que precisam de prescrição, mas o acesso muda de país para país:
- No Brasil: a PEP e a PrEP são gratuitas pelo SUS. Para a PEP, procure imediatamente um serviço que a ofereça (veja a página do Ministério da Saúde sobre a PEP). Para a PrEP, procure uma unidade de saúde do SUS ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA); o SUS oferece a PrEP diária e, para alguns grupos, a PrEP sob demanda. Veja onde encontrar a PrEP e a página do Ministério da Saúde sobre a PrEP.
- Em Portugal: a PEP (PPE) é dada na urgência de um hospital público, em até 72 horas; ligar antes para o SNS 24 (808 24 24 24) pode evitar a taxa moderadora da urgência. A PrEP é gratuita nas farmácias dos hospitais do SNS; nas farmácias comunitárias, o Estado paga parte do preço. Mais informações no SNS 24.
- Em outros países: pergunte em um serviço de urgência ou no programa de HIV do sistema público de saúde.