PrEP e PEP: a prevenção do HIV explicada

Dois medicamentos, dois momentos, um objetivo: prevenir o HIV.

A PrEP e a PEP estão entre as ferramentas mais eficazes que existem para prevenir o HIV. É fácil confundir as duas, porque ambas envolvem tomar medicamentos antirretrovirais, mas a diferença está no momento: a PrEP é tomada antes da exposição, e a PEP, depois.

PEP: prevenção de urgência depois de uma exposição

A profilaxia pós-exposição (PEP) é um tratamento curto com medicamentos contra o HIV, geralmente por 28 dias, que pode impedir que a infecção se estabeleça depois de uma possível exposição.

Na PEP, o tempo é decisivo. Ela deve ser iniciada o quanto antes e em até 72 horas após a exposição. Quanto antes começar, melhor funciona: no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda começar de preferência nas primeiras 2 horas. Depois de 72 horas, ela não é mais eficaz.

A PEP é indicada em situações como a camisinha estourar com uma parceria que tem HIV ou cuja condição é desconhecida, violência sexual ou um acidente com agulha. Se você acha que precisa dela, procure imediatamente um serviço de saúde e peça a PEP pelo nome. No Brasil, a PEP é gratuita pelo SUS e é oferecida em serviços como UPAs, prontos-socorros de hospitais, CTAs e SAEs: veja no mapa do Ministério da Saúde onde encontrá-la. Mesmo quando a receita é de um médico particular, o medicamento é entregue pela rede pública. Em Portugal, a PEP (lá chamada PPE) só é dada na urgência de um hospital público, e o médico de família não pode receitá-la. Se você perceber que precisa da PEP repetidas vezes, é um sinal claro de que vale a pena considerar a PrEP.

PrEP: proteção contínua antes da exposição

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é um medicamento tomado por pessoas que não têm HIV para não se infectarem. Usada conforme a prescrição, a PrEP reduz em cerca de 99% o risco de pegar HIV pelo sexo e em pelo menos 74% o risco associado ao uso de drogas injetáveis. Ela existe na forma de comprimido diário e, para algumas pessoas, de injeção de longa duração aplicada a cada dois meses (no Brasil, a PrEP injetável ainda não é oferecida pelo SUS).

Quem pode considerar a PrEP?

A PrEP exige um teste de HIV antes de começar e testes regulares de acompanhamento, porque é apenas para pessoas que não têm HIV.

I=I: o tratamento como prevenção

Há uma terceira peça importante. Uma pessoa vivendo com HIV que faz o tratamento e mantém a carga viral indetectável não pode transmitir o HIV para suas parcerias sexuais. Isso se chama Indetectável = Intransmissível, ou I=I. Significa que um tratamento eficaz também é uma prevenção eficaz.

Como isso se encaixa na sua estimativa de risco

A prevenção muda a conta. Se a outra pessoa faz um tratamento eficaz e tem carga viral indetectável, ou se você usa PrEP, o risco real de uma exposição é muito menor que os números básicos por ato do nosso guia sobre o risco. Se uma exposição já aconteceu e foi recente, pense primeiro se a PEP se aplica e depois na testagem.

Como conseguir a PrEP ou a PEP

As duas são medicamentos que precisam de prescrição, mas o acesso muda de país para país:

Fontes: orientações do CDC sobre a PrEP e a PEP; OMS, prevenção do HIV; Ministério da Saúde (Brasil) e SNS 24 (Portugal). Informação apenas educativa, não é orientação médica.