Risco de HIV em uma única exposição
"Dá para pegar HIV em uma única vez?" é uma das perguntas sobre HIV mais buscadas. A resposta honesta é sim, é possível, mas em quase toda exposição única a chance é baixa, e a maioria das exposições únicas não leva ao HIV, mesmo quando a outra pessoa tem HIV.
Os números para um único ato
Para um único ato com uma pessoa que tem HIV e não faz tratamento, as estimativas por ato publicadas são:
- Sexo anal receptivo (receber a penetração): cerca de 1,4% (aproximadamente 1 em 70)
- Sexo anal insertivo (penetrar): cerca de 0,11% (aproximadamente 1 em 900)
- Sexo vaginal receptivo (receber a penetração): cerca de 0,08% (aproximadamente 1 em 1250)
- Sexo vaginal insertivo (penetrar): cerca de 0,04% (aproximadamente 1 em 2500)
- Sexo oral: muito baixo; veja Risco de HIV no sexo oral
- Compartilhamento de seringas e agulhas: cerca de 0,63% (aproximadamente 1 em 160)
São médias. Sangramento, outra infecção sexualmente transmissível ou uma pessoa que se infectou muito recentemente podem aumentar o risco. A camisinha, a PrEP ou uma parceria em tratamento eficaz o reduzem muito.
Quando você não sabe a condição da outra pessoa
A maioria das pessoas preocupadas com "uma única vez" não sabe se a outra pessoa tem HIV. Nesse caso, o risco real é o número por ato multiplicado pela chance de a outra pessoa ter HIV. Por exemplo, se cerca de 1 em cada 250 adultos tem HIV no lugar onde o encontro aconteceu, uma única exposição vaginal receptiva com alguém que seja como um adulto médio dá aproximadamente 1 em 300 mil. Em alguns grupos, como homens gays e bissexuais em muitos países, mais pessoas têm HIV, então o risco é maior.
É exatamente isso que nossa calculadora de risco de HIV faz: ela combina o tipo de exposição, o país e outros fatores em uma única estimativa.
Por que uma única vez ainda pode importar
Uma probabilidade baixa não é zero. Por isso faz sentido agir diante de uma exposição real, em vez de apenas ler sobre ela:
- Em até 72 horas: se a outra pessoa tem HIV ou você não sabe, e foi sexo anal ou vaginal sem camisinha, procure hoje mesmo um serviço de saúde e pergunte sobre a PEP (no Brasil, gratuita pelo SUS em serviços como UPAs, prontos-socorros de hospitais, CTAs e SAEs; em Portugal, na urgência de um hospital público).
- Depois: faça o teste na hora certa. Um teste laboratorial de quarta geração aos 45 dias é muito tranquilizador, e os testes de anticorpos são conclusivos aos 90 dias. Veja o guia de testagem.
Sintomas não são um guia
Muitas pessoas se sentem mal depois de um encontro que as assustou, muitas vezes só por causa da ansiedade. O início da infecção pelo HIV pode causar sintomas parecidos com os da gripe, mas muitas pessoas com HIV não têm nenhum. Os sintomas não podem confirmar nem descartar o HIV; só um teste pode. Veja Sintomas do HIV e a evolução da infecção.